# Entrevista: Presidente Lazaro Santana  sobre a negociação salarial da Santa Casa e valorização profissional

- Link: https://www.siems.org.br/entrevista-presidente-lazaro-santana-sobre-a-negociacao-salarial-da-santa-casa-e-valorizacao-profissional/
- Published: 2014-07-17T14:21:00-04:00
- Author: SIEMS

**No dia 07 de julho, o presidente do SIEMS concedeu entrevista ao Jornal do Ônibus.
O líder sindical destacou as conquistas do SIEMS, a negociação salarial com a Santa
Casa de Campo Grande e enfatizou que o sindicato está contestando o laudo pericial
feito pela Associação Beneficente de Campo Grande no ano passado, já que este culminou
na redução do valor da insalubridade pago aos trabalhadores em enfermagem. Confira:**

**A entrevista da semana é com Lázaro Antonio Santana, presidente do SIEMS**

_Nicodemos Alencar – Jornal do Ônibus_

_A entrevista da semana é com Lázaro Antonio Santana, 36 anos, presidente do SIEMS(
Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Su) que atua
há 13 anos na profissão e defende a primeira gestão no quadriênio 2012/2016. Lázaro
aponta avanços conquistados para cerca de 17 mil profissionais de enfermagem no 
Estado, bem como a falta de atrativos e sobrecarga de trabalho imposta aos trabalhadores
em estabelecimentos hospitalares. O SIEMS ainda tem a missão de intermediar o acordo
salarial entre os profissionais e a classe patronal. A inflexibilidade da direção
da Santa Casa em atender a reivindicação salarial da categoria gera um clima de 
instabilidade e iminência de greve que pode afetar o atendimento no hospital._

**Jornal do Ônibus – Quais os avanços que o SIEMS conquistou para os profissionais
da área de enfermagem em MS?**

**Lázaro Santana** – Nós temos hoje uma base territorial em torno de 17 mil profissionais
registrados no Conselho Regional de Enfermagem de MS (Coren-MS). O SIEMS só alcança
os profissionais que são celetistas e nós temos conseguido alguns acordos coletivos
separados. Comparado com a gestão anterior, esse ano nós já temos mais de 20 acordos
separados que contempla diretamente os profissionais de enfermagem, não só remuneração,
mas também oferece condições de trabalho. 

**JO – Como está o mercado de trabalho hoje na área de enfermagem no Estado?**

**LS** – O mercado de trabalho está bastante aquecido, com muitas ofertas de trabalho.
O que acontece é que atualmente faltam atrativos para que os profissionais queiram
ingressar nas unidades hospitalares para poder prestar um serviço adequado, tanto
para as empresas que contratam como à população. 

**JO – Com relação à Santa Casa como está a negociação salarial?**

**LS** – Na Santa Casa, sempre todos os anos a gente acaba tendo dificuldades para
negociar, mas nunca tivemos tanta resistência como esse ano e nessa nova administração.
Começamos o processo de negociação a partir do dia 16 de maio e a partir daí a Santa
Casa tem sido inflexível. Os profissionais pleiteam aumento de 16,43%,  a direção
apresentou um índice de reajuste de 6% e de lá pra cá não tem avançado nas negociações.

**JO – Qual o quadro de funcionários na Santa Casa e devido a esse descontentamento
houve demissões?**

**LS –** Hoje o quadro de profissionais é de 1.200 profissionais. Atualmente, desse
total, 200 profissionais estão afastados por motivos de doenças, amparado pela Previdência
Social e mais de 120 profissionais pediram demissão, justamente por insatisfação
devido a falta de valorização dos trabalhadores.

**JO – Conforme você expôs, atualmente existe um déficit de cerca de 300 profissionais
na Santa Casa, pelas demissões e afastamento. Isso não afeta o atendimento à população
no hospital?**

**LS –** Com certeza vai ficar um quadro mínimo de funcionários na assistência. 
Hoje já temos um déficit de quase 300 profissionais e caso seja deflagrada a greve
vai reduzir ainda mais. Vai ficar apenas 30% para atendimento de emergência e 70%
deve participar do movimento, cruzando os braços.  Sem dúvida nenhuma, o atendimento
à população vai ficar comprometido, com uma má assistência aos pacientes. 

**JO – O SIEMS vem realizando assembleias com a categoria para discutir e construir
o movimento. A deflagração da greve é iminente?**

**LS** – Na segunda-feira, fizemos três assembleias em todos os períodos: matutino,
vespertino e noturno e ficou acertado que caso a Santa Casa continue inflexível 
com relação ao que pleiteamos e mantenha a mesma posição, nós iremos deflagrar a
greve. Houve perdas, sem reposição salarial e hoje os profissionais estão sobrecarregados
com uma jornada de trabalho estafante sem ser valorizado pela classe patronal.

**JO – Qual o salário atual pago aos profissionais de enfermagem na Santa Casa?**

**LS –** A Santa Casa oferece uma média salarial de R$ 1.043 aos profissionais de
enfermagem. Além disso, tem o abono assiduidade que o profissional recebe, mas não
pode ter faltas, nem atrasos ou apresentar atestados. Tem também o auxílio creche
no valor de R$ 80 que a instituição oferece. Basicamente, é essa a proposta da administração.

**JO – A Santa Casa continua inflexível com relação à negociação salarial e o que
é alegado pela direção?**

**LS –** A direção alega sempre a mesma coisa: a falta de recurso. Mesmo em gestão
anteriores, que a Santa Casa não tem condições de arcar com o aumento na folha de
pagamento. O Sindicato mostrou a direção da Santa Casa que os profissionais sofreram
perdas com o aumento do índice inflacionário como da Cesta Básica e o aumento da
gasolina, por exemplo. Isso os profissionais tem sentido diretamente no bolso e 
necessitam de um reajuste imediato.

**JO – O que o Sindicato pretende fazer para melhorar a qualidade do trabalho dos
profissionais da área de enfermagem?**

**LS –** Hoje o profissional de enfermagem da Santa Casa está sobrecarregado. No
ano passado, a Santa Casa reduziu o valor da insalubridade pago ao trabalhador na
instituição, baseado em laudo pericial feito pela entidade. O SIEMS está contestando
o laudo feito pela Santa Casa e inclusive já solicitamos a permissão para que um
outro perito refaça o laudo pericial. O presidente da Santa Casa barrou a entrada
do nosso perito e por isso a negociação não conseguiu avançar.

**JO – O SIEMS está aberto à negociações com a classe patronal?**

**LS –** Com certeza. O que eu sempre digo, é que o Sindicato dos Trabalhadores 
está aberto ao processo de negociação. Nós não queremos fazer greve, mas precisamos
que sejamos atendidos em nossas reivindicações. O Sindicato tem conseguido bons 
resultados em negociações salariais com outras instituições e esperamos que isso
aconteça também com a direção da Santa Casa.

 
