# Governo abre diálogo e centrais vão às ruas por revogação das medidas

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- Published: 2015-01-20T10:21:00-03:00
- Author: SIEMS

_Os presidentes das centrais sindicais saíram do encontro com o governo nesta segunda-
feira (19), no escritório da Presidência da República em São Paulo, reafirmando 
que não abrem mão dos direitos e vão sair às ruas para impedir o retrocesso das 
conquistas  _

Na reunião, convocada pelo governo, as centrais reivindicaram a revogação das medidas
que alteraram a concessão de alguns benefícios previdenciários e trabalhistas, como
seguro-desemprego, auxílio-doença e pensão por morte, entre outras. Para as centrais,
as alterações implicam a perda de direitos dos trabalhadores. 

“Deixamos claro que vamos às ruas, mobilizar os trabalhadores porque depois de tudo
o que fizemos e do projeto que ajudamos a eleger essas medidas estão na contramão,
pois sacrificam o trabalhador. Não há contradição entre apoiarmos um projeto mudancista
e, ao mesmo tempo, pressioná-lo para que possa encontrar o caminho para avançar 
nas mudanças”, enfatizou Adílson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores
e Trabalhadoras do Brasil). As centrais já definiram uma agenda de manifestações
que se inicia com o Dia Nacional de Lutas, em 28 de janeiro, e culmina com uma marcha
em 26 de fevereiro. 

As centrais também manifestaram-se contrários as medidas anunciadas pelo ministro
da Fazenda, Joaquim Levy, como a retomada da cobrança da Cide sobre a gasolina e
aumento do IOF sobre operações de crédito. Para os representantes das centrais, 
as medidas terão impacto sobre o consumo e, consequentemente, sobre o mercado de
trabalho. 

Na reunião, os ministros Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência), Nelson
Barbosa (Planejamento), Manoel Dias (Trabalho) e Carlos Gabas (Previdência) tentaram
justificar as alterações como medidas para corrigir distorções, mas propuseram uma
negociação. 

“Apresentamos às centrais as razões técnicas que levaram o governo a adotar as medidas
ainda em 2014. Para que tenham validade a partir de 2016, não podemos desistir delas.
Mas abrimos o debate sobre o conteúdo dessas medidas provisórias”, disse o ministro
Miguel Rossetto, que não descartou a possibilidade de alterações. 

“Precisamos lutar incessantemente para reverter essas medidas. O governo não dá 
sinais de que vá reverter, embora tenha assumido o compromisso de continuar dialogando”,
destacou Araújo. No encontro ficou acertado que na próxima semana a equipe técnica
das centrais vai se reunir com técnicos do governo para debater as medidas. “Evidentemente
que a nossa análise não é técnica, mas política e ao tomar essas medidas o governo
demostra claramente que vai cortar do lado mais fraco”, completou o sindicalista.

“Não abrimos mão dos direitos, nem que a vaca tussa”, disse o presidente da CUT,
Vagner Freitas, em referência à frase que virou tema da campanha eleitoral da presidenta
Dilma Rousseff. Segundo Freitas, o Brasil enfrentou a crise internacional “não sendo
ortodoxo e não aceitando a linha tradicionalmente sugerida por organismos como o
Fundo Monetário Internacional”. 

Algumas centrais cogitam a possibilidade de ir à Justiça para impedir as mudanças
nos casos de pensão por morte, auxílio-doença e abono salarial, presentes na Constituição.“
Vamos analisar e agir com todas as nossas possibilidades, inclusive as jurídicas”,
afirmou o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah. 

_Fonte:  Portal Vermelho – Dayane Santos_
