# Mulheres no contexto histórico do trabalho

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- Published: 2014-03-08T07:39:00-04:00
- Author: SIEMS

As mulheres têm uma data especial, 8 de Março – Dia Internacional da Mulher. No 
entanto, esta não foi criada simplesmente para a sociedade valorizar o papel feminino
como mãe e responsável pela família. Claro, essa é uma sublime tarefa, ser a tutora
do lar, jamais negaremos. No entanto, a data específica 8 de março tem significados
mais profundos, faz referência histórica do papel da mulher na sociedade, o empoderamento
do sexo feminino na construção de um novo paradigma, onde deixou de ser subordinada
ao machismo inconcebível  e passa a ser protagonista na luta da igualdade social
e trabalhista.

Inúmeras são as teorias relacionadas à escolha data 8 de março, muitos consideram
que se originou após um incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist, em Nova Iorque,
que ceifou a vida de 146 trabalhadores – a maioria costureiras. O número elevado
de mortes foi atribuído às más condições de segurança do edifício. No entanto, historiadores
já afirmaram que o fato é verídico, mas que não foi o estopim para a escolha da 
data.

Na virada do século XX, momento em que ocorria a Revolução Industrial e a Primeira
Guerra Mundial, as mulheres começaram a ser requisitadas para trabalhar, em massa,
nas grandes indústrias. No entanto, as péssimas condições de trabalho frequentemente
insalubres e perigosas, eram motivo de frequentes protestos por parte das trabalhadoras.

As primeiras manifestações por meio de datas direcionadas às mulheres ocorreram 
nos Estados Unidos e na Europa. No entanto, o 8 de março, foi consolidado como Dia
Internacional da Mulher por meio de manifestação das mulheres russas por melhores
condições de vida e contra a entrada da Rússia czarista na Primeira Guerra Mundial(
1914-1918), desencadeando, inclusive, a Revolução de 1917.

Dados históricos comprovam que durante a II Conferência Internacional de Mulheres
Socialistas na Dinamarca, no ano de 1910, foi aprovada uma resolução para a criação
de uma data anual para comemorar os direitos da mulher tendo como objetivo honrar
as lutas femininas e obter condições de implantar o direito a voto. Diversos protestos
ocorreram contra a Primeira Guerra Mundial e no dia 8 de março de 1917 (23 de fevereiro
no calendário Juliano, adotado pela Rússia até então), numa manifestação, que reuniu
cerca de 90 mil operárias, contra Czar Nicolau II, em razão das más condições de
trabalho, a fome e a participação russa na guerra, em um protesto conhecido como‘
Pão e Paz’, a data consagrou-se, embora, somente no ano de 1921 foi oficializada
como Dia Internacional da Mulher.

Em 1975, a ONU oficializou o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher. 
A fixação da data é o reconhecimento de toda a luta feminina em busca da igualdade,
valorização e respeito.

Graças a luta incansável, hoje, as mulheres conquistaram espaço nos direitos trabalhistas
e sociais. No entanto, ainda há muito que avançar. Hoje são muitos os entraves como
desigualdade salarial, preconceito, assédios, entre outros. Prova disso, é que a
última pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),
divulgada em 2014, as mulheres ganham, em média, o equivalente a 73,6% do rendimento
médio recebido por homens. Em valores, a média do salário das mulheres é de R$ 1.614,95,
enquanto a dos homens chega a R$ 2.195,30. Os dados referem-se ao ano de 2013.

De acordo com pesquisa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos), no ano passado 53,9% dos trabalhadores que procuraram emprego 
há menos de um ano foram mulheres. A taxa aumentou entre os desempregados há mais
de um ano: nesta situação, 63,2% foram mulheres.

Esses dados só reforçam que a articulação para a valorização da mão-de-obra  feminina
ainda carece de fortalecimento. As mulheres precisam estar cada vez mais organizadas,
buscar o apoio de suas bases sindicais, enfim, somar esforços para que no dia 08
de março sejam lembradas não apenas pela doçura, mas, principalmente pela força 
e representatividade da mulher na sociedade.

 

_Fonte: Adriana Souza Miceli – Assessora de Imprensa do Siems_
