# O sindicalismo deve participar do processo eleitoral?

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- Published: 2014-08-28T15:35:00-04:00
- Author: SIEMS

_As entidades sindicais, que são instituições eminentemente políticas e de formação
social, tem que participar do processo eleitoral sim. Elas, embora devam priorizar
o atendimento das demandas, pleitos e reivindicações de seus associados, devem atuar
em favor de políticas públicas e do processo democrático, que vão além da luta meramente
corporativa no local de trabalho._

 

**Antônio Augusto de Queiroz\***

O movimento sindical, como um dos mais importantes agentes políticos e sociais do
país, tem a obrigação de participar ativamente do processo eleitoral, afinal de 
contas estão em disputa projetos de governo e de poder que afetam positiva ou negativamente
seus representados.

 

Não pode nem deve se omitir desse debate, sob pena de negligenciar a defesa dos 
interesses dos assalariados – trabalhadores do setor privado, servidores públicos
e aposentados e pensionistas – e dos direitos trabalhistas, sindicais e previdenciários
da classe trabalhadora, entre outros.

 

Aliás, uma das missões da organização sindical é exatamente a politização – de forma
constante e sempre visando à consciência política – da classe trabalhadora. Deve,
todavia, ter o cuidado de não partidarizar o movimento, porque, além de dividir 
os trabalhadores, a entidade sindical que age orientada exclusivamente por partido
político pode perder sua capacidade classista na ação sindical e até afugentar os
trabalhadores da entidade.

 

O setor patronal e o mercado financeiro apoiam candidatos identificados com seus
pleitos inclusive com financiamento de campanha. E entre os pleitos deles estão 
a flexibilização ou precarização de direitos, a redução de direitos previdenciários
e a fragilização do movimento sindical.

 

Frente a esse quadro, por que os sindicatos de trabalhadores e servidores não deveriam
apoiar candidatos? É verdade que a legislação proíbe doação de campanha por entidade
de classe, mas o apoio não se limita às doações. Existem várias formas de apoiar
e defender os candidatos pró-trabalhadores.

 

Se, em circunstâncias normais, os trabalhadores e suas entidades deveriam apoiar
e fazer campanha para candidatos identificados ou oriundos do movimento sindical,
por que deixariam de fazê-lo numa eleição em que a investida neoliberal sobre seus
direitos estão prenunciados?

 

As entidades sindicais, que são instituições eminentemente políticas e de formação
social, tem que participar do processo eleitoral sim. Elas, embora devam priorizar
o atendimento das demandas, pleitos e reivindicações de seus associados, devem atuar
em favor de políticas públicas e do processo democrático, que vão além da luta meramente
corporativa no local de trabalho.

 

Nunca é demais lembrar que as lideranças sindicais e suas entidades lutam contra
algo (ação reativa) ou a favor de algo (ação propositiva) e o fazem em várias dimensões
e instâncias nas quais temas de interesse da classe trabalhadora estejam em debate
ou dependam de deliberação.

 

Nesse sentido, o processo eleitoral é fundamental porque é nele que, simultaneamente,
se elegem os representantes e se definem os projetos e programas de governo. Ou 
seja, é o momento da legitimação de propostas e programas ou diretrizes a serem 
implementadas pelos futuros legisladores e governantes e não podemos, por omissão,
permitir que propostas contra os interesses dos trabalhadores sejam referendadas
pelas urnas.

 

Logo, a participação dos trabalhadores, dos militantes e dirigentes sindicais no
processo eleitoral, mais do que um dever cívico e moral, é uma necessidade para 
exigir compromisso programático dos candidatos com as causas sociais de interesse
da classe trabalhadora, no período de campanha, e prestação de contas, quando do
exercício do mandato.

 

A política de recuperação do salário mínimo, por exemplo, só terá perspectivas de
renovação a partir de 2016, se estiver explicitada no programa eleitoral do próximo
ou próxima presidente da República, assim como a redução da jornada e a mudança 
do fator previdenciário.

 

Por tudo isto, a participação no processo eleitoral do movimento sindical, de forma
suprapartidária e com unidade de ação em torno dos temas comuns, será não apenas
uma necessidade e uma tarefa fundamental, como uma questão de sobrevivência política
do movimento.

 

_**(\*) Jornalista, analista político e diretor de Documentação do Diap (Departamento
Intersindical de Assessoria Parlamentar)**_ 
