# Síndrome de Burnout e depressão principais causas de afastamento de profissionais da enfermagem

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- Published: 2017-05-31T08:55:00-04:00
- Author: SIEMS

**Fonte: Elizeu Ribeiro – CONTEÚDO/MS**

Para muitas pessoas, o mês de maio é considerado um dos meses mais importantes do
ano, seja por dias comemorativos ou até mesmo porque lembra pessoas especiais que
nasceram nesta data. Mas para a categoria dos enfermeiros, o mês de maio tem um 
significado muito importante, aonde os servidores comemoraram entre os dias 12 a
20 de maio, a **Semana Nacional da Enfermagem**, que também incluem os Auxiliares
Técnicos de Enfermagem.

Além de ser uma data comemorativa para categoria, o mês de maio também serve como
uma reflexão em relação à saúde destes profissionais, que na maioria das vezes acabam
se afastando do seu trabalho por conta de doenças adquiridas pela alta carga de 
estresse no ambiente de trabalho. Doenças essas que representam riscos a integridade
física e mental dos trabalhadores.

Para o presidente do SIEMS (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de
Mato Grosso do Sul) Lazaro Santana, a saúde dos profissionais da enfermagem é vista
como uma grande preocupação, principalmente para os do estado, que na maioria das
vezes trabalham em ambientes sem a mínima estrutura.

 “Ao falarmos em enfermagem, a primeira imagem é aquele profissional que cuida e
dedica-se integralmente ao paciente. Isso de fato é uma das funções da enfermagem,
no entanto, quem cuida destes trabalhadores? A responsabilidade de preservar pela
saúde do profissional é do empregador que deve oferecer as condições necessárias,
com o quantitativo de trabalhadores estabelecidos pelos Conselhos Regionais, evitando
assim a sobrecarga de trabalho”, explica o presidente.

Segundo o SIEMS, as doenças que mais acometem a categoria são as psicossomáticas
geradas principalmente pelo contato direto com sofrimentos dos pacientes, com a 
dor e a morte, trabalho noturno, rodízios de turno, jornadas duplas e até triplas
de trabalho, ritmo acelerado, tarefas fragmentadas e repetitivas entre outros.

Estudos apontam que entre as principais doenças está a Síndrome de Burnout, na qual
o trabalhador fica em estado de tensão emocional e estresse crônicos. Além disso,
aumenta o quadro de profissionais com depressão, hipertensão e doenças ergonômicas.

A técnica de enfermagem que preferiu não ter o nome divulgado, falou ao Conteúdo
MS que trabalhou 12 anos na Santa Casa de Campo Grande, segundo ela, a cerca de 
cinco anos ela precisou se afastar de suas atividades, pois não estava aguentando
trabalhar em uma instituição que não oferecia o mínimo de condições de trabalho 
aos enfermeiros. Ela conta que muitas vezes precisou duplicar sua jornada de trabalho
porque na época ganhava pouco, “o salário que eu ganhava não supria minhas despesas,
meus gastos pessoais, eu me sentia envergonhada. Só os descontos na folha de pagamento,
comia uma boa parte do meu salário”, conta.

A entrevistada também disse que além do baixo salário, ela era obrigada a se “desdobrar”
em duas, porque na época o quadro de funcionários era reduzido e não conseguia suprir
a demanda de atendimento aos pacientes, o que os deixava estressados e sobrecarregados.
Segundo ela, além da demanda, existe o desrespeito tanto por parte do paciente, 
quanto dos próprios profissionais.

“Quantas vezes tive que ir ao banheiro chorar porque eu tentava fazer o meu melhor
e o paciente não entende isso e acaba nos ofendendo. Ele (o paciente) nunca se coloca
no lugar do enfermeiro, eles não entendem a nossa situação, o que passamos dentro
de um hospital. As vezes faltava materiais básicos para trabalharmos, não tinha 
condições, disse a mulher.

O presidente o SIEMS explica ainda, que o cotidiano do enfermeiro já é estressante
pelo fato de lidar com a questão do sofrimento, a rotina incerta que depende da 
forma como o paciente irá reagir, a sobrecarga de trabalho pelo quantitativo inadequado
de profissionais, somados à exposição aos riscos biológicos, químicos, físicos e
ergonômicos podem ocasionar danos à saúde do trabalhador, provocando vários tipos
de sequelas, sendo elas agudas ou crônicas, esclarece o presidente.

“O trabalho de um profissional da enfermagem dependerá de como o paciente reagirá.
A sistematização do processo de trabalho, ocorre por meio de prescrição elaborada
por enfermeiro(a), no entanto não garante que aquele dia de trabalho ocorrerá conforme
a prescrição, porque existe a correlação saúde, doença, paciente, o seja, dependerá
do setor e do perfil do paciente. A instabilidade do paciente pode alterar a prescrição
prevista inicialmente”, pontua Lázaro.

 
