Em março, mais uma vez a sociedade assiste o impasse para assinatura de convênio entre Santa Casa e prefeitura Municipal, também sobre a necessidade de investimentos do governo estadual para a continuidade dos serviços no hospital. Há meses a Associação Beneficente de Campo Grande clama por socorro afirmando que as verbas financeiras para o atendimento aos pacientes da rede pública, de Campo Grande e de municípios do interior, não são suficientes.
“Enquanto as autoridades públicas ficam no jogo de empurrar as responsabilidades, os maiores prejudicados são a sociedade e profissionais da saúde. Os primeiros, necessitam emergencialmente do atendimento. Os segundos, porque se deparam frequentemente com atrasos salariais e deficitária condições de trabalho”, critica o presidente do SIEMS (Sindicato dos Trabalhadores da área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul, Lázaro Santana.
Em nota encaminhada à prefeitura municipal e ao SIEMS, a Santa já notificou que sem a renovação do contrato (vencido no dia 28/12/16 e prorrogado por Termo Aditivo até 31/03/17), com reajuste de valores, não será possível manter os serviços e a instituição terá que fechar as portas para ao atendimento público.
Segundo publicado pelo site Campo Grande News, no dia 31/03, “o repasse mensal feito a Santa Casa é por volta de R$ 20 milhões, sendo usado R$ 1,5 milhão para pagar empréstimo e R$ 18,5 milhões no custeio. Para renovação do contrato, a unidade pede um aumento de no mínimo R$ 3,5 milhões, já que tem um déficit mensal neste valor. De acordo com o prefeito, o município faz um repasse de quase R$ 5 milhões, enquanto que o governo R$ 2,5 milhões, tendo o restante de verba da União”.
Governo
O presidente do SIEMS, que acompanha a realidade das instituições de saúde que dependem de repasses municipais e estaduais, critica a conduta do governo de Mato Grosso do Sul. “O governo discursa e investe para a terceirização dos gestores de hospitais de atendimentos públicos, no entanto, as dificuldades da Santa Casa e de inúmeras instituições hospitalares municipais se agrava cada vez mais. Nesta semana, por exemplo, o Hospital São Lucas de Batayporã (MS) fechou as portas e uma das justificativas foi a falta de repasse da verba do governo estadual. É preciso valorizar a saúde, a Constituição Federal determina que “a saúde é direito de todos e dever do Estado”, enfatiza o presidente do SIEMS Lázaro Santana.
A categoria da enfermagem que acompanha a aflição da sociedade – pacientes que necessitam do atendimento – chama a atenção das autoridades púbicas para evitar que o maior hospital de atendimento ao setor público da capital suspenda os atendimentos. “As autoridades, representantes dos Ministérios Públicos, parlamentares, gestores municiais e estaduais precisam agir e impedir que maiores danos ocorram caso o hospital tenha que suspender gradativamente os serviços, a sociedade será a maior prejudicada, é preciso que a saúde seja priorizada”, enfatiza Lázaro Santana.
Fonte: SIEMS