Notícias · 11/05/2020

Descaso condena enfermagem a doenças ocupacionais e depressão

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*Por Lázaro Santana

Há anos a enfermagem do Mato Grosso do Sul soma sua voz para chamar atenção da sociedade quanto à realidade da categoria. Foram manifestações, passeatas, denúncias por meio da mídia local e redes sociais.

Hoje, a categoria está no cetro das atenções por ser protagonista no combate à pandemia nacional. O SIEMS (Sindicato dos Trabalhadores na área de Enfermagem do Mato Grosso do Sul) sempre destacou exatamente isso, a enfermagem está na linha de frente de todas as doenças contagiosas. No dia a dia, os profissionais colocam sua vida em risco pela vida do próximo. Um serviço de extrema dedicação que meche e muito com a questão psicológica do profissional, pois é uma rotina de incerteza, na qual o quadro clínico do paciente pode sofrer alterações a qualquer momento.

Sem a enfermagem, os hospitais param. Isso, tornou-se claro neste período de pandemia. Sempre, abordamos essa relevância da nossa categoria para apresentar a realidade na qual se encontram, o descaso que sofrem pelas autoridades públicas, principalmente deputados estaduais, federais e senadores.

Infelizmente a categoria se encontra em um triste ranking de acidentes de trabalho, está em segundo lugar. Os baixos salários – ainda não existe um piso salarial e estadual no Mato Grosso do Sul – forçam os profissionais a trabalharem em vários turnos para receberem um pouco mais e assim proporcionar uma vida melhor aos seus familiares. Isso, aliado a uma jornada exaustiva geram acidentes e doenças como ler-dort, síndrome de burnout e principalmente depressão.

Há 20 anos, lutamos pela regulamentação da jornada de trabalho para 30 horas, atualmente existe um projeto engavetado na Câmera Federal. Em 2018 o SIEMS um projeto para Implantação de Piso Salarial Estadual aos profissionais da Enfermagem, resultado, está engavetado na Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul.

Todo esse descaso, desvalorização geram sérios problemas na vida desses profissionais, que são chefes de famílias, que tem seus compromissos financeiros, que também merecem momentos de lazer em família. São auxiliares em enfermagem, técnicos em enfermagem, enfermeiros, mas acima de tudo são seres humanos.

Nós que representamos a categoria, não desistiremos, daremos ainda mais ênfase as nossas bandeiras de luta, dessa vez esperamos que as autoridades públicas mudem suas atitudes, esperamos que dessa vez priorizem essa categoria que trabalha a ciência do cuidar.

*Lázaro Santana é Presidente do SIEMS – Sindicato dos Trabalhadores na área de Enfermagem do Mato Grosso do Sul